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Tarifa 2009

20 a 22 de Fevereiro

Relato da Viagem

Como já vem sendo habitual, lá fomos nós à procura de vento enquanto a época não chega a Portugal. Desta vez Espanha, mais precisamente Tarifa era o nosso destino. Sempre que se vai a Tarifa, encontra-se uma data que tenha um ou dois feriados colados com o fim-de-semana, de forma a podermos velejar pelo menos 3 dias, para justificar a deslocação. Este ano a data escolhida foi o Carnaval.

 

 

 

Com uma semana de antecedência, começamos a monitorizar as previsões meteorológicas e as estatísticas no local para que a viagem não fosse feita em vão. Quanto mais perto nos encontrávamos do dia da partida, mais instável estava a previsão, ao ponto da viagem estar prestes a ser cancelada. Mas sendo que a mesma se apresentava boa para sexta, sábado e domingo, decidimos arriscar e sair mais cedo do que o previsto antecipando a viagem um dia. O regresso também poderia ser mais cedo, a não ser que o vento justificasse ficar até dia 24, o que não aconteceu.

 

 

No primeiro dia, o primeiro grupo havia chegado de madrugada o que permitiu ainda algum descanso, pouco mas regenerador. O segundo grupo que havia partido de Lisboa também pela madrugado também não tardava em chegar, pelo que contávamos entrar na água perto das 12 horas locais.

 

 

O vento medido na praia de Valdevaqueros, onde se situa um dos dois clubes Mistral de Tarifa, soprava com 18 nós e as rajadas atingiam os 28 nós. Nesse local existiam também algumas ondas que pelo tamanho não permitia que todos pudessem lá velejar em segurança. Decidimos então ir para a duna, onde o vento era estável e as ondas eram pequenas e fáceis de entrar.

 

 

No segundo dia a previsão não era tão boa e de facto, esteve menos vento. Mesmo assim estavam um bons 18 nós o que permitiu planar durante todo o dia com velas entre os 6 e 5 metros, dependendo do peso do velejador.

 

Aproveitei para testar a nova prancha da escola, a JP X-CITE RIDE 120 ES, que veio a substituir a Tabou Rocket 125. A vela usada foi a Gaastra Remedy 6.4 de 2009. O mar com bastante mareta e o vento algo excessivo para aquela vela iriam poder perceber o comportamento da prancha em condições estremas.

 

 

A minha primeira impressão e tendo em linha de conta a posição de um iniciado, percebi de imediato que a prancha não é tão fácil como a Tabou. Com menos um centímetro e meio de largura e mais 5 de comprimento, faz dela, uma prancha um pouco mais técnica. Sendo este modelo considerado uma lenda, é a best seller da JP, concebida para ser fácil mas ao mesmo tempo rápida e confortável aliando o aspecto desportivo à suavidade que mesmo nas condições mais estremas a mareta não prejudicava a prestação da prancha. A velocidade e o controlo é notório, no entanto para os menos experientes requer um pouco mais de experiência uma vez que a velocidade é potenciada de tal forma que sentimos que iremos levantar voo a qualquer momento sem no entanto perder o controlo.

 

 

O último dia foi definitivamente perfeito. As previsões para domingo não eram as melhores e de facto, apesar de haver vento, não estava lá muito “famoso”, pelo menos ao nível da Meca do windsurf na Europa. Reunimos o “conselho” e decidimos procurar o melhor local para satisfazer as nossas “necessidades”. Pensamos em ir a Palmones, mas o vento não passava dos 10 nós. Por sorte nossa um dos velejadores, esqueceu umas compras no restaurante em que habitualmente jantamos, esse facto permitiu perceber que na vila o vento ultrapassava facilmente os 20 nós, o que contrastava com o vento na praia de Valdevaqueros que deveria rondar os 14 nós. Resolvemos então ir espreitar o porto de Tarifa e lá encontramos 6 windsurfistas no lado do Mediterrâneo a treinar Freestyle. Do lado do Atlântico umas ondas perfeitas faziam as delícias dos Kiter’s. Um espectáculo digno de se ver. Ainda pensamos velejar ali, mas o bom senso mandou-nos procurar outros locais e em boa hora o fizemos, pois encontramos o lugar perfeito.

 

 

A 2 km de Tarifa em direcção de Valdevaqueros, encontramos uma praia em que o vento estava a soprar constante com 18 nós. As ondas que se iam formando faziam umas esquerdas perfeitas e o side-off fazia delas uma apetecível tentação. Não muito convencidos, no entanto acabamos por entrar. De 5.8 a 4.2 foi a diversão total. Para quem entrou vai recordar este dia como um dos melhores dias de windsurf das suas vidas. As ondas de tamanho médio mas fácil faziam paredes perfeitas com metro a metro e meio onde facilmente se faziam 4 a 5 batidas por onda. Para mim pessoalmente foi o melhor dia de sempre em Tarifa.

 

Até à próxima e…

 

Bons ventos,

Elisiário Carvalho


 

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