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Introdução

O Looping ou Forward Loop é uma manobra simples de executar, que apenas está dependente da nossa coragem para avançar para ela.

 

Quando aprendemos a velejar, todos passamos por diversas etapas e numa delas, em que estamos a aprender a utilizar os foot-straps, planando com o arnês, acontecem as catapultas.

 

Quem não passou por elas? Pois já aconteceu a todos nós com mais ou menos intensidade e com mais ou menos pranchas partidas na proa, devido a essas mesmas catapultas.

 

Passamos uma parte importante da nossa evolução a evitar essas catapultas, e eis o que queremos agora… voltar a fazê-las! Mas agora de forma consciente e controlada.

 

Pois é! Não existe velejador que se preze que não sonhe um dia conseguir fazer o looping. Mesmo que esse não seja o seu objectivo, quem não sonhou já que um dia estava a executar essa manobra.

 

 

 

A dificuldade do looping é meramente psicológica, é mesmo mais fácil que cambar em velocidade, mais fácil também que a simples viragem de bordo! O looping não é mais que um movimento balístico, tão simples como arremessar uma pedra que uma vez iniciada não poderá ser parada.

 

Quem veleja já razoavelmente e até muito bem, depara-se com um conflito interno, aguardando o dia perfeito para experimentar a manobra e passar para o grupo daqueles que conseguem fazer o looping. Esse dia aparece, mas depois são sempre as mesmas desculpas: ou o vento está muito instável, ou achamos que nos podemos magoar ou danificar o equipamento e não queremos perder um dia de windsurf por causa de uma prancha ou mastro partido.

 

Também é vulgar acharmos que estamos com vela grande demais ou então dizemos para nós próprios “no próximo bordo é que é”. Resultado, mais um dia passou e looping… nada.

 

Aumentam os receios, convencemo-nos que afinal aquilo não é para nós, mas passados 1 ou 2 dias voltamos ao mesmo conflito e penalizamo-nos por não termos tentado e é só uma manobra que todos dizem que não custa nada. E o pior é que nós sabemos disso.

 

O difícil é fazer a primeira, a partir daí só queremos saltar e rodar e somos capazes de passar um dia inteiro a fazer apenas isso, saltar e rodar.

 

Execução

 

Na realidade para executar o looping devemos apenas mecanizar dois tempos: 1º saltar, 2º rodar. O loopping demora apenas dois segundos em que podemos contar 1…2… e já está. Este é o tempo da manobra e é no que pensamos.

 

Claro está que para conseguirmos é necessário saber executar algumas habilidades “skills”, tais como saber fazer waterstart, planar e utilizar bem os foot-straps, saber também saltar e aterrar é bastante importante.

 

Ao saltar devemos flectir a perna detrás controlando todo o conjunto, prancha e vela como se fôssemos uma bola. Posto isto passemos ao looping.

 

Para quem ache que está sempre carregado ou seja, com vela a mais, é isso mesmo que se quer, quanto mais potência sentimos na vela, mais fácil será vencer a inércia e rodar.

 

A forma mais fácil será procurar uma pequena rampa que nos lance no ar, essa rampa não deverá ser muito vertical, pois isso irá trazer dificuldades acrescidas para acabar a rotação, pois estaremos a saltar com a prancha muito vertical.

 

Encontrada a rampa, ganhar velocidade, arribar um pouco (afastar a proa da linha do vento), saltar a onda em “full-power” e aguardar que estejamos mesmo no ar.

 

Voltando um pouco atrás, enquanto atacamos a onda, preparar o corpo e a mente para o que vamos fazer, ou seja, convencermo-nos que vamos fazer o looping. Chegar a mão detrás bem atrás na retranca e chegar a mão da frente, também um pouco atrás. Ao estarmos no ar, vamos fazer a maior catapulta da nossa vida e abusamos nisso. Quanto mais forte for a catapulta mais fácil será a manobra. Assim, de forma brusca empurramos o braço da frente para a frente e puxamos fortemente o braço de trás para a barriga de forma a caçarmos a vela no ar de forma violenta. A cabeça: olhem bem para trás (o corpo segue sempre a nossa cabeça) e se quiserem fechem os olhos. As pernas ficam flectidas e não mexem.

 

A aterragem acontece de forma natural, no início quando aterrarmos os pés terão saltado dos foot-straps, mas o rig estará na posição de waterstart. Forcemos o waterstart e teremos conseguido fazer o nosso primeiro looping. A partir daqui nunca mais iremos parar de tentar. A sensação é óptima.

 

Com o tempo conseguiremos ter a noção espacial de toda a rotação e conseguiremos aterrar bem. Quando essa noção aparecer, apercebemo-nos que no fim da rotação folgamos ligeiramente a vela para aterrarmos. Em apenas meia dúzia de loopings já conseguimos fazer isso tudo.

 

No princípio, ao saltar, teremos a impressão que não existe altura suficiente, não pensemos nisso, mandemo-nos para a catapulta e com convicção e nunca largamos a retranca. Pode parecer que o mastro vai bater violentamente na água, mas se tivermos arribado um pouco para o salto isso nunca irá acontecer. Nunca entremos para o looping à bolina e lembremo-nos, sentir sempre potência na vela.

 

Bons Ventos: Elisiário Carvalho

 

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Não existe velejador que se preze que não sonhe um dia conseguir fazer o looping.

 


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