Em busca da
praia, do bom tempo, do vento e das ondas, aqui fomos nós até ao
fantástico arquipélago de Cabo verde, mais especificamente à
ilha do Sal.
Depois de muito
trabalho em termos organizativos e de algumas peripécias
inerentes ao mesmo, uma vez que as datas desta viagem calhavam
precisamente nas férias da Páscoa e parece que Portugal em peso
tinha decidido viajar para o mesmo destino que nós. Mesmo assim,
conseguimos embarcar toda a gente e levar 28 pessoas, das quais
algumas, além de irem para velejar, levaram, também a família
num programa mais misto que incluía férias familiares.
Dia 20 de Março,
primeiro dia de Primavera, dia da viagem. O primeiro check-in
estava previsto para as 18h00, isto porque o grupo teve que se
dividir entre a SATA e a TAP.
Sal é sinónimo
de bom vento, mas também de boas ondas. Quem quis aproveitar
essas ondas, optou por levar o seu próprio equipamento, uma vez
que os clubes oferecem uma natural resistência para quem
pretende lá velejar.
Mas, uma vez
mais, resistência encontramos ainda cá em Portugal, uma vez que
a companhia aérea se recusava a embarcar 3 pranchas e 7 velas de
windsurf, quando avisada, com reserva de espaço feita e
informada pelas dimensões da carga e peso, sempre deu parecer
positivo no transporte do mesmo.
Para
conseguirmos levar o material fomos obrigados a separá-lo em
dois volumes, o que, claro, deu asneira. Ao aterrarmos na ilha,
só chegaram as pranchas. As velas, os mastros e as retrancas que
passaram para outro saco não tinham chegado. Lá deparámo-nos com
uma eficiência invejável do handling da placa de embarque
que se prontificaram de imediato a resolver o nosso problema. A
senhora responsável por essa área, numa tentativa de nos
conformar dizia que a bagagem que faltava devia vir no voo da
TAP, que chegava passadas duas horas com o restante grupo.
“Ganda grupe” , pensámos nós. Queríamos ir para as ondas com o
nosso material e levámos uma banhada. Agora, além de termos pago
o transporte da carga, ainda tínhamos que pagar o aluguer do
windsurf nos clubes.
Passadas duas
horas, depois de termos instalado o primeiro grupo nos
respectivos hotéis, lá voltei eu e o Nuno ao aeroporto para
esperar o segundo grupo e verificar se o saco perdido sempre
iria aparecer (podia estar a dirigir-se para o outro lado do
mundo, achava eu, pois TAP e SATA são companhias diferentes).
Finalmente viu-se a luz ao fundo do túnel e o saco chegou mesmo
a aparecer. Também o segundo grupo tinha chegado, sendo que a
viagem correu muito bem para todos.
Cabo Verde tem
uma grande vantagem, é um dos destinos tropicais mais próximos
de Portugal, em que a viagem efectiva dura o mesmo que uma
deslocação para o Algarve, não fosse irmos de avião, factor que
faz levar grandes secas no embarque e desembarque.
Dia 21 de Março,
primeiro dia no Sal. A previsão para a semana não era grande
coisa, sendo que iríamos estar sem vento domingo, segunda e
terça-feira. A coisa estava feia, mas nada havia a fazer e o
melhor era arranjar alternativas (baptismos de mergulho, safaris
pela ilha, passeio de barco e até passeios de bicicleta).
Por sorte, ou
talvez não, houve vento todos os dias e se houve quem
aproveitasse as alternativas, também houve quem velejasse todos
os dias sem excepção. Verdade seja dita que o vento nunca esteve
muito forte, mas 15 nós de média diária fizeram com que o velejo
estivesse mais ao alcance de todos os níveis.
Para quem ia com
a expectativa das ondas, pode-se dizer que a aventura ainda
estava para começar.
Cabo Verde,
especificamente a Ilha do Sal, tem um grande número de spots
óptimos para quem quer ondas. Na baía de Santa Maria, onde se
situam os clubes e os hotéis, existem dois spots de
ondas, a Ponta do Sino e a Ponta do Leme, mas caprichosamente o
swell estava a entrar de Noroeste e era essa a previsão
para toda a semana.
Para quem não
sabe, a ponta do Sino e a Ponta do Leme estão orientados para
Sul, pelo que o swell de Noroeste não dá onda nenhuma
nestes dois spots. Também estes locais eram os mais
acessíveis, em cujo nível para ai velejar nas ondas não
necessita ser muito elevado. Tivemos azar, ou sorte, nunca se
sabe, mas com a previsão que se avizinhava pensámos que as ondas
estavam comprometidas.
Sábado, último
dia previsto de vento razoável resolvemos chamamar um táxi (Pickup
4 X 4) em busca de um dos muitos spots de ondas
existentes na ilha que estão virados para Oeste.
Grande erro,
procurar um local para velejar usando um táxi é algo impossível.
Depois de preparado o saco para sair para as ondas e de ter
chamado o táxi, eis que começam as peripécias, o taxista pegou
outras pessoas e logo aí perdemos uma hora.
Depois de
finalmente termos apanhado outro táxi, tínhamos que apanhar o
Sérgio que já estava no Clube Mistral a desmontar duas velas e
uma prancha para ir connosco. O taxista que não podia esperar,
pois tinha outro serviço à espera, deixou-nos prometendo-se a
regressar após quinze minutos. Tudo bem, seria o tempo de
preparar o equipamento do Sérgio. Mais uma hora e nada de táxi.
Tivemos que chamar outro. Só para sairmos dali já íamos em três
táxis e duas horas de atraso.
Antes de irmos
para as ondas ainda tínhamos um problema logístico para
resolver, o Manuel, que tinha partido uma extensão no dia
anterior, precisava de comprar uma nova para poder velejar.
Assim montámos todo o material no táxi e fomos para a vila em
busca desse acessório, que não encontrámos. Ainda na vila, já o
taxista estava a ser pressionado pelos colegas que o esperavam
para uma volta à ilha. Pensámos “mais um taxista apressado,
estamos tramados”, mesmo assim fomos para a Punta Preta. Ao
chegar lá o taxista descarregou o nosso equipamento na areia e
foi à vida dele. Lá ficamos nós ali e outra vez sem transporte.
A Punta Preta é
um local espectacular para velejar nas ondas, mas o grau de
dificuldade é tão elevado que era veementemente desaconselhado
para os meus alunos das ondas fazerem lá as aulas. Mesmo assim,
ainda tivemos a oportunidade de ver um velejador local a dar
show com a sua 5.5 toda rasgada, com apenas 12 nós de vento
e ondas que chegavam aos quatro metros. Neste local se o
velejador sai da onda para fugir, entra pelas pedras. A parede
da onda é que fornece profundidade para se conseguir velejar lá.
Conclusão, ou está na onda e diverte-se ou está nas pedras e
destrói todo o equipamento. Nós não podíamos correr esse risco,
uma vez que iríamos comprometer todos os objectivos a que nos
tínhamos proposto.
Mais duas
horas à espera de novo táxi e lá seguimos caminho, agora de
volta para a baía, pois de tanta espera já não valia a pena
tentar outro local. Acabámos todos a velejar outra vez na
baía de 7.4 e 8 metros a fazer slalon. Mesmo assim,
deu para espairecer um pouco e salvar o dia, que tinha sido
para esquecer.
Para os
restantes dias a previsão já só apontava para um bom velejo
de ondas, apenas quarta e quinta-feira, este último, o dia
em que iríamos embora. Pensámos e bem, nos dois últimos dias
alugar uma pick-up.
No que diz
respeito ao restante grupo, a satisfação era notória e
apesar do pouco vento, com a expectativa de velejar apenas
na água lisa, usar uma vela maior ou menor não fazia grande
diferença.
Certo é que
o tempo estava bom, fazia calor e a água estava quente, o
que contrastava com o tempo que fazia em Portugal, que
apesar de apresentar imenso vento, havia um frio de rachar e
além de muito mau tempo. Só quem refilava era o Zé Leal, que
com razão, dizia que para velejar com velas grandes tinha
ficado em Portugal, mas como estava calor, lá se foi
convencendo que afinal nem tudo era mau.
Voltando ao
projecto das ondas, eu, o Nuno Esteves, o Manuel Prates e o
Sérgio Soares, comentávamos e tentávamos elaborar um plano
para conseguirmos apanhar algumas ondas. Era incrível que
com tão boas ondas que existiam, nós não conseguíamos
apanhar uma única.
Na
terça-feira, quando passeávamos na vila, resolvemos passar
na loja do Angulo, onde encontrámos um DVD que fazia um
roteiro dos spots de ondas na ilha. Comprámo-lo de
imediato e nessa mesma noite fomos visioná-lo, na secreta
esperança de descobrir ali a solução para o nosso problema.
Eureka, descobrimos mesmo…
Quarta-feira, logo pela manhã, já tínhamos a
pick-up
alugada no final do dia anterior, cuja noite tinha sido
passada na praia do Angulo, onde se tinha servido um
fantástico churrasco e onde estavam praticamente todos os
participantes nesta viagem.
De volta a
quarta-feira, bem cedo carregámos o carro e ainda eram dez
horas e já nós tínhamos atravessado um deserto de pó
vermelho para ir dar a uma pequena praia que se chama,
Calheta Funda. Para nós, que nunca lá tínhamos estado, era
uma incógnita o que íamos encontrar. Um dizia que não era
ali, outro perguntava onde estava a praia e outro ainda,
dizia “Para ali? Com aquelas ondas? Só se eu for maluco!”
As
alternativas não eram muitas e o vento até parecia estar
bom. Ali sopravam uns bons 17 nós, mais 5 nós que na baía.
As ondas em frente à praia nem pareciam muito grandes, pois
estavam a mais de duzentos metros da areia. A praia era
mínima com o máximo de 20 metros de areia rodeada por
pedras. No entanto a entrada era feita de forma pacífica,
sem levar com ondas.
Arriscámos, só
faltavam dois dias e já não tínhamos muito a perder. Montámos
entre 6.2 e 5.8 e lá fomos nós. Para testar o local, fui eu
primeiro a fazer de cobaia na tentativa de perceber o spot,
a direcção do vento e sua consistência e avaliar o tamanho das
ondas e risco.
Entrei e apontei
a prancha para onde a onda terminava, assim nunca iria apanhar
com nenhuma em cima. O vento soprava muito de terra, pelo que
tinha que ir quase à popa. Conforme me aproximava das ondas é
que comecei a ter a noção mais clara do seu tamanho, as menores
tinham quase a altura do mastro e as maiores passavam bem a
altura do mastro. Bem, pensei, eles não vão querer vir para
aqui, mas vamos lá a experimentar a onda e tentar perceber de
que forma os posso ajudar e como se pode fugir às mesmas.
Surfei duas
ondas fantásticas, bem grandes que desenrolavam de uma forma
perfeita. Apesar de grandes, era muito fácil escapar delas e se
mesmo assim caíssemos, éramos arrastados de imediato para um
local que não tinha ondas nenhumas, favorecendo assim a
recuperação e o retorno ao pico.
Ao regressar a
terra e após eles terem visto bem o tamanho das ondas ao fazerem
a comparação com o tamanho do meu mastro quando estava a surfar,
já estavam convencidos em desmontar e esquecer as ondas. Depois
de lhes explicar o que iriam apanhar e que não era tão mau
assim, lá os convenci a entrar na água.
Resultado, dois
dias inesquecíveis a surfar as melhores ondas que alguma vez
tinham apanhado e o cenário lunar em que nos encontrávamos
juntamente com a pick-up carregada de equipamento, fazia
lembrar as melhores imagens que se vêm nos filmes de windsurf,
em que os craques da PWA correm atrás das condições mais
perfeitas, nos locais de mais difícil acesso do nosso planeta.
A viagem de
regresso correu sem história e no fim todos adoraram e levavam
na bagagem uma enorme vontade de regressar.
Bons Ventos,
Elisiário carvalho
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windsurftrip - cabo verde
20 a 27 de Março 2008
Relato
da viagem
Em busca da
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wind & kite trip-jericoacoara 2008
24 de Novembro a 8 de Dezembro
Relato
da viagem
De regresso a Portugal, aproveito esta oportunidade
para fazer um pequeno resumo da Viagem a
Jericoacoara no Brasil.
tarifa
Relato
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Nos dias 1 a 4 de Novembro,
realizou-se mais uma viagem de windsurf em que participaram
também velejadores de Kite,...
praia do alvor
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A Escola de Windsurfing
Elisiário Carvalho em estreita colaboração com a Câmara
Municipal de Portimão e o Clube Overpower,...
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Como todos
deverão saber, nos dias 18 a 21 de Janeiro de 2007,
realizou-se a primeira viagem do ano, que tinha como
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